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16.1.18

Minha experiência no México

16.1.18


Vim super entusiasmada a falar da série "El ministerio del tiempo", que de fato passará a ser parte do catálogo da Netflix, e o que "o povo" faz? Isso mesmo, CANCELA a série. Nem tenho palavras pra expressar meu descontentamento... E não é falta de prêmio ou de audiência, mas de descaso mesmo da emissora... Enfim, vida que segue, mas que coisa...

(Disseram que "Timeless" é uma versão bem piorada do Ministério, mas eu só consegui ver metade do primeiro episódio, então não sei dizer...).

A questão que não quer calar: SUMI MESMO. Passei os últimos nove meses no México, fui porque ganhei uma bolsa de doutorado sanduíche da CAPES, e não podia desperdiçar essa oportunidade, porque, como diz a senhora do carro do conserto das panelas que passa aqui na rua todo dia: "oportunidades nem sempre aparecem". E sendo uma pessoa que reclama de falta de oportunidades, quando uma aparece, tenho que correr atrás, é o mínimo.

Foi incrível passar esse tempo lá. Não viajei muito porque a CAPES não deixa, o foco do intercâmbio é o estudo; de todo jeito, e o mais importante, é que conheci pessoas tão maravilhosas que nem saberia explicar... E a parte boa é que isso dá um gás pra gente continuar as pesquisas e os estudos que as pessoas não imaginam. Se você tiver a oportunidade de fazer um intercâmbio, faça! Se for pra América Latina, não pense duas vezes. Antes de ir para o México, eu tinha morado por quase 3 anos na Colômbia e foi a melhor coisa da minha vida. Quem saiu daqui foi uma pessoa desanimada com a vida e o curso, e quem voltou foi uma pessoa motivada a subir até o último degrau da história xD.

Nem sei por onde começar a derramar as gentilezas. Fui bem tratada desde a Embaixada. Fui pegar o visto e o pessoal foi super paciente comigo, mesmo quando a "esperteza aqui" esqueceu de levar o dinheiro e se não fosse a minha tia, eu teria que ir andando até um supermercado mais próximo pra sacar.

E, depois, o contato com a minha co-orientadora: pensa num ser humano HUMANO. Eu já a conhecia, o que facilitou nosso contato, mas dispor de mais tempo pra conhecê-la e ser inserida no seu dia-a-dia foi um privilégio. Sou uma pessoa muito melhor depois dessa experiência, nossa, muito melhor... Ter convivido com ela foi ver a cada dia como é se doar por inteiro por algo que a gente ama. E essa doação é possível e é louvável, mesmo nesse mundo onde, não importa a área, não importa o nível intelectual, as pessoas ainda precisam crescer e amadurecer. Mesmo que as pessoas não recebam isso como deveria, mesmo que não reconheçam. O compromisso não é com o reconhecimento, mas com a ação e com a própria pessoa. Com ela eu vi que o crescimento é possível, sim. E vi, conforme aquela frase do Calvino, que existe, sim, "algo no meio do inferno que não é inferno", e que por mais que o exercício de diferenciar isso seja mais difícil a cada dia, quando isso acontece, nossa, muda tudo. 

E os amigos... Não sou uma pessoa de muitos amigos, mas não posso reclamar em nenhum momento da qualidade das pessoas que cruzam meu caminho. Conheci as melhores pessoas, daquelas que fazem almoço na sua casa pra você no sábado e daquelas que faz docinhos e leva na Universidade pra você... Daquelas que não aceita ver você passar o natal sozinha (e eu nem ligo pra isso, passo dormindo e feliz) e te chama pra dormir na casa da família e ainda te aguenta vendo filmes dos anos 90, coisa de ano que a pessoa nem tinha nascido ainda haha. Aaaaa, melhores lembranças. E pessoas que dizem "aqui você tem um irmão e uma casa, quando quiser voltar, só avisa". Morro todo dia com essas coisas.

Trabalhei muito, apresentei muito trabalho, fui a muitos eventos. E também tive tempo de me divertir e criar ótimas lembranças, compartilhando momentos com pessoas incríveis. Não posso reclamar de nada, não tem nada o que reclamar, na verdade. Só coisa boa =).

Eu sei que esse deveria ser um post em que falo dos lugares, hábitos e comidas, mas, enfim, depois eu falo sobre isso, por agora só consigo pensar nas pessoas que conheci e no quanto sou grata. 

E é isso. Espero que o resultado do meu trabalho demonstre tudo o que eu aprendi nessa experiência que mudou muito a respeito do modo de ver da minha própria pesquisa e da minha futura carreira como profissional. 




12.4.17

Conselhos que gostaria de ter dado a mim mesma

12.4.17
Adicionar legenda


Quando criança, eu era uma muito iludida a respeito do mundo e dos adultos. Pensava que ser adulto tinha que ver com muita aprendizagem e orientação na vida, e que uma pessoa adulta tinha descoberto segredos que uma criança jamais saberia. 

É bem triste ver o quanto estava equivocada e como me decepcionei na vida por me equivocar.

Tudo isso só mostra o quão longe estava da lógica do mundo. Às vezes fico pensando em como seria minha visão das coisas se as pessoas tivessem me alertado para uns detalhes, tais como:

17.1.17

Divagações de ano novo, dicas de séries e insert folha de resumos/fichamentos

17.1.17
Créditos: Pixabay

Ultimamente o blog anda recebendo umas curtidas aleatórias, creio que pela divulgação gratuita que o portfolio da Lari tem me proporcionado. Acho ruim, não haha, só me dá vergonha que a última postagem tenha sido nos confins do ano passado e eu não tenha nada interessante para apresentar e fidelizar meus novos leitores. Espero sanar isso em breve.

O primeiro post do ano costuma ser aquele de metas e promessas e empolgações e lista de desafios e essas coisas, mas dessa vez vou me abster de fazer isso, porque pensei no que fazer pra 2017 e só uma coisa ficou apitando na minha cabeça:


ESCREVER A TESE!

Como a pessoa chega num terceiro ano de doutorado mais perdida que cego em tiroteio? Prazer, euzinha Mello. Esperando alguém plugar alguma coisa no meu pescoço que nem fizeram com o Neo de Matrix e ele aprendeu tudo do mundo em 30 segundos...


Créditos: eframe.sussex.ac.uk

Então, pensando nisso, acredito que vou me abster de metas e desafios por esse ano e me concentrar na minha prioridade. De todos os modos, vou tentar postar no blog regularmente — esse é um objetivo desde 2014 que nunca consegui cumprir, mas ok.




2016 foi um ano muito louco, mas pessoalmente foi muito bom pra mim. Colhi muitos frutos que foram plantados ao longo da minha vida e espero continuar colhendo esse ano. Tomara que continue assim, apesar de que 2017 começou de um jeito muito assustador, cheio de notícias ruins...



Comecei a ver várias séries neste ano novo, porque séries são vida. Deixo aqui algumas recomendações:

- Vi Merlí e simplesmente amei, a melhor série de temática jovem do mundo! Vi num lugar que colocaram ela como série LGBT, mas acho isso um pouco reducionista, a série abarca esse tema, mas abarca também várias outras coisas do mundo adolescente e adulto. É uma série para adolescente, mas, acima disso, uma série SOBRE adolescentes.

Louca pra Netflix subir a segunda temporada logo!

20.8.16

O desafio insuperado de conviver com vizinhos ruidosos

20.8.16
Imagem: Pixabay

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Todo mundo que me acompanha no facebook sabe que moro numa ilha residencial cercada de sobrados por todos os lados, o que me faz ser-sem-ser extensão de um grande condomínio, ou seja, conformo parte de um lugar em que as distâncias são grandes, mas o espaços, muito pequenos, usando uma metáfora de que gosto muito e que já usei nuns trezentos poemas.

Fazendo jus a isso, meus vizinhos, em uma espécie de metonímia do sujeito contemporâneo, têm fobia de silêncio em um nível que não sei explicar, o que só pode ser um sério problema em lidar com suas próprias subjetividades, tipo, encarar o silêncio é cair no abismo aterrorizante revelador do eu, então, precisamos tapar isso de qualquer maneira, então vamos fazer isso com: ruido! Ruído pra eles, ruído pra mim, ruído pra vizinhança, ruído pr'o bairro... E em momentos "super convenientes", como meia-noite, duas da manhã, sete da manhã no sábado, em um dos únicos dias em que você pode dormir até mais tarde...




Fico pensando, às vezes, se eles não levaram muito ao pé da letra aquela canção do Simon e Garfunkel, The Sound of Silence, quando estes cantam "Fools, said I, you do not know/ Silence like a cancer grows" (Tolos, eu disse, vocês não sabem/ o silêncio cresce como um câncer). Já que se trata uma geração que não sabe interpretar texto, rola de avisar que o silêncio da canção se refere à incapacidade das pessoas de se comunicar e compartilhar coisas, o que deixa todo mundo na estaca zero, porque impor é diferente de compartilhar, e ruído, então...

30.12.15

Tchau 2015, metas para 2016, desafios e indicação dos parceiros

30.12.15



Aquelas, passa um tempão sem escrever nada, depois quer abarcar o planeta em apenas um post. Abafa xD.

Geralmente, não tenho essas ilusões de virada do calendário, de ano novo que começa, ano velho que termina e blá blá blá, porque... não. Até porque cada ano que morre, é um ano que a gente morre junto. Enfim, deixa eu estabelecer logo meu ponto, antes que mate todo mundo de depressão aqui, mas 2015 foi um ano tão louco e tão desestabilizante que me conforta a ideia de pensar que ele vai acabar e de que posso pensar em possibilidades depois disso.

Se eu fosse resumir todas as loucuras numa frase, seria algo do tipo: 2015 foi ano em que comecei o meu doutorado e o mesmo ano em que quase o perdi. Começar o doutorado representa muito e significa muito pra mim, que caí no curso de paraquedas, que pensei nunca conseguir nem terminar a graduação, quando muito chegar tão longe. Significa ter um plano de vida para os seguintes 4 anos e significa não perder a sanidade com o futuro, já que posso projetar minhas aspirações de maneira que a literatura fique sempre em primeiro plano. Não me considero intelectual e nem acho que sou inteligente, mas gosto de estudar e gosto de literatura mais do que qualquer coisa no mundo. 

A quase-possibilidade do cancelamento do doutorado, por motivos de recurso, foi bem estranha e teve uma repercussão muito louca na vida de todos nós, alunos e professores, sem contar na coisa toda que isso acarreta. Umas desilusões daqui, uns desmoronamentos ali, uns questionamentos bem phodas do tipo: por que a gente estuda artes, lida com a transcendência, lê pra caramba, e continua essas mulas?Qual é o sentido disso, no final das contas? Pra que fazer da literatura um meio de vida se isso não é nada?

Mas, no fim das contas, depois de muitas perdas e danos, as coisas se ajeitaram. Como costuma acontecer em experiências trágicas, saímos, os alunos, mais fortes, mais unidos, mais desconfiados, mais cautelosos. Saímos mais amigos. Vou ser sincera, não botava muita fé na minha turma, não, mas depois dessa, acho que coloco a mão no fogo por todos eles. Uns mais que os outros, mas ainda assim xD. Como dizia Richard Bach (isso ficou da adolescência, não tem jeito xD): Não há benção que não carregue uma maldição, nem maldição que não carregue uma benção. 

Agora espero poder ter um pouco de calmaria depois disso, porque foram seis meses perdidos e mais seis meses tentando correr atrás do prejuízo. Vamos que vamos.


*****


Desse modo, já posso adiantar que a grande maioria esmagadora das minhas metas para 2016 serão no âmbito acadêmico. Preciso me dedicar e arrumar meu currículo. Agora é a hora xD.

Basicamente quero ler muito sobre meu corpus e ler teoria, muita. Quero participar de eventos e publicar em revistas. 

Mas quero também:

1. Adiantar um pouco do meu livro *não vou dizer terminar, porque.... pff, já são dez anos escrevendo xD.
2. Terminar as fanfics e fics inacabadas (por fic leia-se "meu livro comercial").
3. Dedicar-me ao blog, estabelecer regularidades no posts, nem que seja duas vezes por semana. E buscar um pouco mais a minha voz, não ser tão formal, porém escrever posts sempre mais densos, que sejam úteis aos leitores dentro do que me proponho a falar =).
4. Dedicar-me ao Nyah e à Liga dos betas que ficaram bem abandonados este ano.
5. Estabelecer uma dieta saudável como a que eu tinha anos atrás (não podia ficar de fora essa, né hehe)
6. Participar efetivamente dos desafios que eu propuser realizar.
7. Menos séries, mais filmes (preciso apaziguar o vício xD).


*****

Em 2014 empolguei com essa paradinha de desafios e saí louca anunciando que participaria de todos. Falhei miseravelmente. Assim, neste ano de 2016, participarei apenas dos projetos do Blogs que Interagem, que são:

24 filmes para 2016 em que vamos ver 2 filmes por mês com as temáticas assinaladas abaixo:




O Clube do livro, em que escolhemos livros para serem lidos e sobre os quais faremos resenhas. Devo confessar que foi o desafio mais eclético de que tenho notícias, com livros das altas e baixas literaturas. Adorei mesmo a seleção, mesmo tendo que ler livros como Dragões de Éter e o Pequeno Príncipe. 




Ah, sim, e tem o desafio da Lominha, o ORGBLOG. Como esse não vou documentar aqui, vou documentar na página do face, então nem vou falar dele. Mas que seria legal vocês me ajudarem por lá, ah, seria...xD

******

Meus parceiros também tiveram bastante trabalho nesse fim de ano, fazendo recapitulações, reflexões, estabelecendo metas e desafios. Bora ver os melhores posts, só clicar nos links:


1. A Ana Carolina, do Mesa de café da manhã, selecionou algumas influências da cultura pop que lhe pareceram interessantes durante o ano. 

2. Nessa mesma vibe, a Dandara, do A talking movie, fez uma retrospectiva sobre as séries de que ela mais gostou. 

3. A Renata, do Assim te conto, colocou, de maneira muito clara e objetiva, o que ela quer deixar nesse "ano que termina". 

4. E a Thay, do Penduricalhos, deixou o Adeus dela em forma de fotos. 

5. A Bianca, do Mundo colorido de Bia, conseguiu traduzir muito dos meus sentimentos refletindo sobre seu ano e seus planos (apesar de eu não ser casada, nem planejar nada disso, pensa no geral xD).

6. Outra que também fez um super mega texto, com uma reflexão muito linda, sobre tirar um tempo para se pensar nas coisas importantes, foi a Vanessa, do Pensamentos valem ouro. Simplesmente adorei.

E estes saem um pouco do tema, mas amei do mesmo jeito:

7. O post da Tamaravilhosa xD, que fala sobre a Chimamanda Adichie (AQUI).
8. O Kennedy ensinando como fazer um pote mágico que é lógico que eu vou fazer (AQUI).
9. A Jake falando do seus cadernos viajantes. Não conhecia, mas quero muito participar (bora fazer com o Elo?) (AQUI).
10. A Lah Costa fez uma resenha de um filme super polêmico +18 que eu fiquei muito doida pra ver (AQUI).
11. A Andressa fez uma lista bem eclética do que ela está escutando no momento (conhecia nenhuma música, mas vale pra animar) (AQUI).
12. E, pra fechar com chave-de-ouro, a Sandra postou um poema lindo do Drummond. Não só acho super legal a ideia da Sandra de trazer essas figuras maravilhosas para a blogosfera, como... Drummond é Drummond, né? (AQUI)



E feliz ano-novo pra todo mundo!


15.11.15

Sobre finais de ano, tragédias e intolerância

15.11.15


Em primeiro lugar, eu queria muito fazer um post tripartido sobre as frases para seguir o Topic of the month, porém, diante das últimas notícias, não consegui. Pelo menos não antes de escrever este post.

Em segundo lugar, não gosto de ser muito pessoal no blog, apesar de este ser um blog pessoal, porque me sinto bastante ridícula emitindo minha opinião sem antes estudar a respeito daquilo que estou opinando, porque... vide internet e a "bobajada" que a gente lê todo dia. Não gosto de contribuir para aumentar isso.

Desse modo, entendam isso como um desabafo. E sintam-se à vontade para me orientar nas minhas desorientações. Nisso tudo, se tem uma coisa de que tenho consciência, é da minha mediocridade. Não rejeito conselhos nem conhecimento.

A verdade é que fim de ano é a época mais deprimente da vida para mim, porque, na minha cabeça, representa uma série de coisas que eu simplesmente abomino. Acho insuportável que exista uma época para que as pessoas se sintam mais solidárias e pratiquem várias boas ações que não praticam o ano inteiro "porque é natal". Também me soa incompreensível as reuniões familiares que as pessoas atendem contra a vontade e toda aquela fartura que parece obrigatória quando não o é em outras ocasiões. Não sei, na minha opinião, as pessoas deveriam fazer isso quando quisessem fazê-lo e não se ater à prática alienada do ritual. Sei também, por outro lado, que rituais são importantes. Enfim...

A isso ainda se alia aquela visão infantil de que o ano está acabando, aquela vontade de fazer planos para o próximo ano, e nós aderimos à coisa toda talvez para fugir da ideia da continuidade infinita, mais além de nós mesmos. Sei lá. Também não suporto ter que fazer essas reflexões a la Simone de "então é natal, o que você fez" e do que fazer no ano que se inicia. Não sei sobre nem uma coisa, nem outra. 

Em relação a 2015, todavia, estive até bem contentinha com a ideia de pensar que o ano acabaria, porque não foi fácil em vários âmbitos, no pessoal principalmente. No entanto, as coisas se ajeitaram. 

Agora, engraçado pensar que o primeiro ano cujo fim não me deprimiria tanto, é o ano cujo fim mais me deprime ever, porque é o mais conturbado de que tenho notícias ultimamente. Perdoem a memória ruim, qualquer coisa. Falo por mim e pelo nível com que as coisas me afetaram.

Primeiro, uma menina quase é estuprada no campus da universidade. Ali pertinho da minha vida, num bloco que eu costumo frequentar. Toda mulher sabe que estupro é nosso maior medo em qualquer lugar. E isso sempre representa nossa maior fragilidade. É mais do que humilhante, se houver uma palavra para isso. A menina não chegou a ser estuprada, de fato, mas isso não anula a gravidade do fato. Como diz um poema do Ulisses Tavares, acho: "vão-se os anéis, ficam-se os medos".

Depois uma mulher é morta, vítima de feminicídio, aqui a quatro ruas da minha casa (olha que engraçado, o corretor não reconhece "feminicidio". A sociedade também não.). Foi às onze da manhã, na frente de uma audiência enorme, porque ali perto tem um sacolão e um restaurante... A única coisa que eu penso disso é que ser mulher implica viver em estado de sítio. E que o outro é um abismo. A gente não se aproxima de abismo, muito menos brinca perto dele. 

Pra completar o quadro, as tragédias de Mariana e os ataques na França noticiadas nesses últimos dias...

Sério, eu pensei que já tinha sentido todas as matizes de indignação que uma pessoa podia sentir, até ver essa notícia sobre a "morte do rio doce". Nossa, me fez perder a vontade de viver e de ser uma pessoa. Eu não posso ser da mesma "espécie" de quem fez isso. É complicado falar até agora. A gente destruiu um mundo inteiro. Isso devia ser coisa de chorarmos o resto da vida, de ficarmos verdadeiramente putos, de fazer protesto e o escambau. Tanta gente enchendo a paciência, falando sobre a fragilidade dos nossos recursos naturais, sobre economizar água, a gente lá, economizando gota a gota, pra uns filhos da puta MATAREM UM RIO INTEIRO, prejudicar a vida de mais de 500 mil pessoas! Danos IRREPARÁVEIS! Espécies inteiras EXTINTAS. Não, gente, sério... 

E daí eles me passam uma reportagem, mostrando o pessoal da vila de Bento Rodrigues estando temporariamente num hotel de 5a, como se aquilo tivesse resolvido a vida deles. Para, né? E a empresa se "compromete" a comprar casas para essas pessoas, como se a única coisa que elas tivessem perdido fosse uma casa... Sem comentários.

Pessoal de Valadares precisando de doação de água... Porque as desgraças de uns empresários mataram UM RIO... Não é um córrego, não é piscininha, não é uma lagoa, não é uma represa: UM RIO. Inteiro. Porra, gente. Nessa crise hídrica. Ninguém fala dos caras, vão culpar a Dilma, porque a Dilma é monarca do Brasil. Na verdade, se não deu pra entender até hoje, talvez esse seja o momento de entender que os verdadeiros governantes desse Brasil são os "mega-empresários", porque também repudio a subserviência do governo frente a essa tragédia. Mas o governo não é só Dilma.

E como se não bastasse, diante disso tudo, me vem uns revoltadinhos do facebook ficar comparando tragédia. 

Ai, mas nenhum francês ficou de luto quando pegou fogo na boate Kiss.

Nenhum francês sabe o que está havendo em Mariana.

Ai, vocês ficam falando da França, mas olha o Brasil...



Sério, gente? É tudo o que vocês têm pra dizer diante do que estamos vivendo nos últimos dias?

E, ao se pronunciar dessa maneira, o outro responde xingando, mais outro xinga o que xingou antes. E outra bola de lama. Tóxica também, diga-se de passagem.

Por outro lado, não descarto que a exibição excessiva de notícias sobre os ataques na França queiram "esconder" o que está acontecendo em Mariana. Mas, ainda assim, uma tragédia não anula a outra, nem se medem, nem se comparam. 

A gente tem mesmo é que parar de falar bobagem, olhar para essas situações e pensar no que pode fazer para ajudar. Mais além de orar, inclusive.

Em relação à Mariana, principalmente, vários grupos têm se mobilizado para fazer alguma coisa, vamos tentar nos unir a eles, fazer qualquer coisa que seja. Construir em vez de destruir. Porque o negócio já está suficientemente horrível.

A prefeitura de Mariana falou HOJE a respeito dos itens de maior necessidade para doação e de como enviá-los: 

O poeta Nuno Arcanjo (que foi de inspiração para que eu escrevesse o post) também disponibilizou vários links sobre grupos que estão se mobilizando: 

Neste blog de Mariana também tem várias informações sobre o ocorrido, sobre a Samarco, e nele estão linkados outros blogs que fornecem informações de como ajudar também as outras regiões afetadas pela lama, porque não é só Mariana, por onde a lama passou, acabou com tudo:

Um outro grupo que me pareceu interessante, chama-se "Pague, Samarco". Acho o nome muito pertinente para a questão toda, é o que eu mais quero ver, no final das contas: 


E procurem pelo facebook grupos que estejam se mobilizando sobre a causa. Abram vocês mesmo o seu e mobilizem sua comunidade. Vamos estar no conjunto daqueles que atuam, não daqueles que reclamam, porque esse grupo já está saturado u.u...

21.9.15

Keep calm...

21.9.15


Engraçado que ano passado, nessa mesma data, comecei a escrever um post sobre fazer 30 anos. Já passou um ano, não terminei de escrevê-lo, e acho que isso define bem a questão toda...

Desde os meus 20 anos que o tempo se deitou numa espécie de vale, de planície. Sim, porque antes o tempo parecia uma montanha, a gente escalava um pouco, tinha uma melhor perspectiva de algo que não sabia, aprendia algo de útil para seguir a escalada e continuava a escalar. 

Agora, não é que eu tenha chegado ao topo da montanha, nada disso, mas cheguei numa parte que a coisa toda se estendeu e meio que deu vontade de ficar por aqui mesmo. Há outras maneiras de aprender. Sei lá. É necessário ver também os pedaços que foram largados pelo caminho... Houve sempre muitos pedaços. Agora a gente fica mais cuidadoso. 

Dos 20 até hoje, sou basicamente a mesma pessoa, mas com menos ilusões. Isso é ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa. Não sei se sobra muito pra um ser humano depois disso. Você vai se adaptando aqui e ali, pela primeira vez na história considera que arrumou seu lugar, mas ele é um cubículo irregular e estranho. Mas ele é seu. Mas é um polígono mal desenhado, com as arestas mais doidas. Foda-se, é seu e pronto. Estica-se da maneira como der, faz aquelas poses sem noção, porque enquanto você estiver ali ninguém vai pegá-lo.

Mais ou menos isso. 


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