Na arte de um modo geral, aquilo que nos marca costuma estar ligado à comoção que determinada manifestação artística nos provoca, que nos permite apropriar do pensamento alheio, nos fundirmos e nos confundirmos a ele. Logo, de certo modo, nosso juízo de valor está relacionado ao nível de identificação que temos com determinada obra.
Já tem um tempo que eu queria trazer uma lista com as personagens com as quais me identifico, porque acaba sendo uma oportunidade de falar sobre filmes, séries e livros, tudo aquilo sobre o que gosto de falar. Agora surgiu a oportunidade perfeita, com a blogagem coletiva do meu grupo do core (Blogs que interagem). Tentei ser muito ampla na minha lista e abarcar de livros até novelas. Foi divertido fazer essa compilação, porque até acabou traçando um perfil de quem eu sou.
Enfim, espero que a lista desperte alguma coisa em alguém e sirva para alguma coisa. Não vou seguir ordens, acho que cada personagem tem seu mérito, independentemente de onde pertence. Vamos lá:
1. Floriano Cambará [Livro: O tempo e o vento - Arquipélago 1, 2 e 3, de Érico Veríssimo]
É bom ressaltar que tudo o que eu sei na vida sobre a Era Vargas se deve à leitura dos Arquipélagos de O tempo e o vento. Mas o que me manteve firme e forte mesmo na leitura foi a personagem Floriano Cambará. Pelo que eu me lembro (já tem mais 10 anos que li), Floriano é um intelectual que passa os três livros digredindo muito, à mercê do mundo e tentando escrever seu romance (que, no final das contas, é o próprio O tempo e o vento, no sentido de ser uma saga da sua família, os Terra Cambará).
Já não lembro muitas coisas pontuais a respeito dessa personagem, porém tenho nítido o impacto que ler a história do Floriano me causou. Sentia profundamente que Veríssimo escrevia sobre mim sem nem nenhuma cerimônia, como se tivesse predito meu nascimento ou como se eu mesma fosse uma criação dele. Floriano, assim como eu, não conseguia viver sem "filtrar" no pensamento qualquer atitude e terminava vivendo a mesma coisa duas vezes, porque o empírico parece impossível de apreender, só o pensamento torna as experiências possíveis. Sem contar que tudo é material para sua narrativa; ele se agarra a todos os conflitos pormenorizadamente, porque tem certeza de que aquilo é importante para seu livro.
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