20.8.16

O desafio insuperado de conviver com vizinhos ruidosos

20.8.16
Imagem: Pixabay

j
Todo mundo que me acompanha no facebook sabe que moro numa ilha residencial cercada de sobrados por todos os lados, o que me faz ser-sem-ser extensão de um grande condomínio, ou seja, conformo parte de um lugar em que as distâncias são grandes, mas o espaços, muito pequenos, usando uma metáfora de que gosto muito e que já usei nuns trezentos poemas.

Fazendo jus a isso, meus vizinhos, em uma espécie de metonímia do sujeito contemporâneo, têm fobia de silêncio em um nível que não sei explicar, o que só pode ser um sério problema em lidar com suas próprias subjetividades, tipo, encarar o silêncio é cair no abismo aterrorizante revelador do eu, então, precisamos tapar isso de qualquer maneira, então vamos fazer isso com: ruido! Ruído pra eles, ruído pra mim, ruído pra vizinhança, ruído pr'o bairro... E em momentos "super convenientes", como meia-noite, duas da manhã, sete da manhã no sábado, em um dos únicos dias em que você pode dormir até mais tarde...




Fico pensando, às vezes, se eles não levaram muito ao pé da letra aquela canção do Simon e Garfunkel, The Sound of Silence, quando estes cantam "Fools, said I, you do not know/ Silence like a cancer grows" (Tolos, eu disse, vocês não sabem/ o silêncio cresce como um câncer). Já que se trata uma geração que não sabe interpretar texto, rola de avisar que o silêncio da canção se refere à incapacidade das pessoas de se comunicar e compartilhar coisas, o que deixa todo mundo na estaca zero, porque impor é diferente de compartilhar, e ruído, então...


Claro, pra fechar com chave de ouro, eles fazem isso na modalidade revezamento. Cala o da direita, começa o da esquerda... E eu, bem no meio do fogo cruzado, com transtorno de ansiedade generalizado, recebo isso da "melhor" maneira: a adrenalina me retesa toda de raiva, me dá taquicardia e eu fico tremelicando parecendo que enfiei o dedo na tomada. Parabéns, vizinhos, vocês estão prestando um grande serviço -sqn compartilhando seus "excelentes" gostos musicais! >.<




Só "música boa", a "melhor" seleção da "rádio cultura" dos últimos sucessos do sertanejo universitário. E de tempos em tempos consigo escutá-los gritando "nossa, essa música é excelente!", daí vem "as excelências", socorro xD. Mas essa nem é a questão. A questão é a imensurável falta de respeito mesmo. Podia ser uma música que eu curtisse; independentemente disso ficaria puta de raiva, porque EU quero escolher o que quero escutar e QUANDO quero escutar, não quero ficar à mercê da vizinhança. Já temos tão poucas escolhas na vida, preciso ainda me privar de mais essa?

Obviamente, quando os encontro na rua, peço pra abaixarem um pouco o volume. Nem sei como consigo fazer isso educadamente, quando minha vontade era de jogar gasolina e tacar fogo... Não quero que eles deixem de escutar as coisas deles, mentira, quero, sim, mas quero que eles sejam capazes de fazer isso sem me incomodar com 65 decibéis em horários absurdos. 

Aí, claaaro, acabo sendo a mal falada, antissocial e mal amada da rua xD. Mas o povo pode achar e me chamar do que quiser, desde que não me incomode xD.




Depois que a tremedeira passa e consigo voltar a raciocinar de novo, só posso pensar em como a maioria das pessoas hoje em dia está tentando ganhar tudo literalmente no grito. É em todo lugar. O povo se esqueceu do que é conversar em um tom aceitável, de escutar uma canção com um fone de ouvido... As pessoas precisam fazer todo o entorno participar das suas conversas e dos seus gostos para músicas e sei lá mais o quê. Na boa, essas conversas NÃO SÃO INTERESSANTES E ESSAS PESSOAS MUITO MENOS. Para mim, só parecem um bando de idiotas ruidosos e loucos para aparecerem, tipo, olha eu aqui, eu existo, viu?, notice me, senpai xD. Ou seja, gente muito zuada das ideias, muito além de qualquer limite do aceitável. Desculpe-me se você é uma pessoa assim e já estou te pré-julgando tão descaradamente, mas fica de alerta a impressão que você tem passado ao redor. Parece-me que tanto mais gritam quanto mais querem esconder a própria insignificância. Não falo isso por ser mais significante. Só não tenho problemas com o silêncio, muito pelo contrário, gosto muito dele e PRECISO dele em diversos momentos, porque dentro da minha cabeça já tem ruído suficiente. E super acho que você pode ter noção de onde termina seu espaço e começa o meu.




Sempre brinco no facebook falando que vou armar um carro de som e tocar a Carmina Burana ou o Réquiem de Mozart às 5 da manhã, ou, pior, vou voltar a treinar tocar violino, coisa que não faço há quase 15 anos, para meus vizinhos verem o que é bom. Mas sou incapaz de colocar isso em prática pelo simples fato de TER CONSCIÊNCIA  de que além dos ruidosos, tenho outros vizinhos que não têm nada a ver com isso, e não gostaria de fazê-los sofrer MAIS. Ou seja, as pessoas não precisam ficar lutando pra serem "outras pessoas" pra mim, porque reconheço esse estatuto delas, como tem que ser.

Desse modo, como pessoa, sou inexistente para meus vizinhos. É engraçado, né, pensando no que acabei de "falar", a gente hoje em dia passa o tempo todo se esforçando para alcançar a categoria de "outro" para os outros. Já estamos saturados de "eu". É "eu" o tempo todo e agora a gente precisa de se impor como "outro" para o resto do mundo. "Eu" é tranquilo, né?, a gente escreve em blogs (o que já é muito ultrapassado), aparece no youtube, grava "histórias" no snapchat (como se nossa vida fosse muito uau), posta foto da nossa felicidade a cada 5 minutos no facebook, porque essa é a nova necessidade de afirmação do ser humano depois de medir o tamanho do pênis ou qualquer coisa semelhante com os colegas e as colegas...

A categoria do outro foi apagada da vida de todo mundo, e por isso as pessoas agem como se estivessem sozinhas no planeta, porque, de fato, de alguma maneira bem distorcida, estão todas sozinhas no planeta. Por isso que eu disse que os espaços são pequenos, mas as distâncias são muito grandes. E gosto dessa minha metáfora justamente por ela me resumir o mundo de uma forma que me faça sentido. Que pena que fazer sentido não faça diferença nenhuma xD.





O panorama não é agradável xD. Não tenho respostas pra ele, anyway, só resolvi fazer desse espaço um diarinho desta vez porque podia ser terapêutico. Ainda estou decidindo isso xD.


Bom, sobre a "Lei do Silêncio", deixo alguns artigos:




E tenho seguido muito a ideia deste aqui. Acho que a gente tem que ser educado sempre, acima de tudo, porque vai que a gente reclama e depois leva um tiro xD:

 É isso...

Se você leu até aqui, obrigada por me "escutar", foi muito importante pra mim ^^. Mas, me conte você: já passou, ou passa, por situações similares? O que faz?

Se quiser comentar, por favor, deixe o link do seu blog para eu retribuir a visita =).

Comente com o Facebook:

6 comentários:

  1. KKKK amei! Sem dúvida nenhuma esse foi o meu texto preferido de todos os tempos. Adorei os gifs, concordo com tudooooooo. Eu adoro silêncio, eu não sei se é por causa também a minha questão de irritabilidade diante de som alto. Até quando meu marido escuta aqui em casa, em peço para abaixar, me incomoda mesmo.
    Eu ri muito! Se eu pudesse, tivesse dinheiro, colocava todas essas pessoas num lugar e deixava presa com várias caixas de som, cada uma tocando uma cafonice pior do que a outra, e uma de várias vozes para ver se é bom. bjs

    ResponderExcluir
  2. Hello :)

    Só qria dizer q: MIGA TE ENTENDO! Onde moro, as casas tem uma acústica maravilhosa, ou seja, se vc contar um segredo na sala, seu vizinho de trás ouve no quintal... E eis que tenho vizinhos hiper barulhentos, que falam alto mesmo, botam música lá em cima e tal... N sei como vc n responde a isso, pq as vezes eu boto mihas músicas dos anos 80 no último volume e sigo feliz, pra eles abaixarem o som.... Pelo menos a música q eu boto é maravilhosa e os outros vizinhos n reclamam, na vdd, até curtem haha

    Beijinhos e que a Força esteja com você!
    www.uncreativeplace.com.br

    ResponderExcluir
  3. Você ainda foi educada!
    Meu vizinho ás vezes dá a loka de colocar funk as 2 da manhã e quero morrer com isso.
    Polícia não resolve! eles vem ai eles abaixam e depois aumentam o volume de novo ¬¬...

    ResponderExcluir
  4. Pra mim o problema não é a geração de agora é sim a anterior (não sei tua idade mas foi mal se tu tem seus 40 e poucos pra cima hahahaha), esse foi a geração da TV e NADA acontecia na casa sem uma tv ligada e ai o que se faz? Ou tu vê o que teus pais estão vendo ou vai pro quarto e vê ou escuta algo com o som mais alto (por que eles não vão abaixar nem desligar). A minha geração cresceu nesse ambiente, onde uma máquina que fala é mais escutada que as pessoas, infelizmente absorvemos essa informação e levamos pra vida adulta. Aqui em casa (somos em três, eu, marido e um amigo) não assistimos tv, tem uma na sala que ninguém liga (só pra ver filme e nem temos netflix, ainda hahaha) e quando tem visita, tipo minha mãe, ela fica nervosa por que não pode ver TV hahahahaha olha o absurdo!!!!

    Sabe praia?? Lendo teu texto me senti na praia. Adoro a parte da natureza, mas os humanos... Cada um.com uma música e indo pra beira é ainda pior, cada carro com uma musica (sendo que não pode carro na areia) e todos mamados na cerveja. Visão do inferno!!! Huahauahauahua

    Melhoras aí é tenta usar o deboismo!!! Beijos

    http://www.nanalaraujo.blogspot.com

    ResponderExcluir
  5. Olha, moro do lado de uma igreja evangélica e, o som deles era tão alto, que dava interferência em alguns canais da tv. Domingo de manhã, mais precisamente as 8h começava o desafinado grupo de jovens a cantar. Também tinha vontade de jogar gasolina e tacar fogo, povinho sem noção!

    ResponderExcluir
  6. Realmente o barulho é uma das coisas que mais me atrapalham na hora do estudo. Moro em um apartamento e sempre tem vizinhos incomodando. Principalmente aos finais de semana.

    ResponderExcluir

Nenhuma imagem presente neste blog me pertence. Todas foram encontradas na internet por meio de pesquisa no google.com e não viso qualquer fim comercial com seus respectivos usos. Se usei uma imagem sua e não lhe dei os devidos créditos, por favor me avise que o farei imediatamente, ou a retirarei do blog se você não quiser que eu a use. Visão Periférica - 2016

Design e Desenvolvimento por Moonly Design / ©