13.1.16

Os adjetivos na escrita literária

13.1.16

Confesso que quando decidi postar hoje para o blog, pensava em algo distinto, mas, pesquisando coisas para escrever esse meu outro post (deixemos para sexta-feira), acabei caindo neste blog, La hoja de arena, e um artigo me chamou muito a atenção: intitulado Decálogo dos adjetivos, mostra frases de escritores e do próprio blogueiro sobre o uso dos adjetivos na escrita literária. 

Acontece que, nesta semana, participei de um projetinho muito legal no grupo de interação da Liga dos Betas (o SBLAN), chamado Critique-me (que consiste em lermos uma história postada no Nyah! e fazer uma crítica sobre ela) e ele me lembrou dos meus tempos áureos de acompanhar os autores do site como leitora beta. Minha maior briga, desde sempre, foi com a adjetivação excessiva que encontrava nos textos. Também falei disso quando fiz meu comentário sobre o livro Um dia.

De todos os modos, acho que um escritor iniciante acaba passando por esse caminho. Quem não fica empolgadíssimo depois de ler algum clássico, ou, no meu caso, de ler Clarice Lispector, e sai querendo adjetivar tudo o que pode? Daí fica aquele texto cheio de palavra, rebuscado, rico, um sucesso.

Só que não, gente. Não fica sucesso, fica chato pacas. Li uma vez em algum lugar, acho que foi no texto Apocalípticos e Integrados, do Umberto Eco, que quanto mais carregada de referências, mais uma palavra perde seu poder evocador. Li também nos conselhos de um escritor (não lembro quem, até queria lembrar pra colocar aqui) que a adjetivação excessiva faz com que a ação da trama perca o foco. Ambos traduzem meus sentimentos ♥. Lógico que também não é para banir de vez todos os 100% dos adjetivos e advérbios do texto. Mas evite sempre que der, reserve para horas importantes.


Adjetivos demais parecem gritar na minha cara que eu sou retardada e não sou capaz de imaginar nada xD.

A partir do decálogo do Hoja de Arena, acabei fazendo o meu com conselhos de vários escritores sobre o uso dos adjetivos. Até porque eu posso não ser ninguém para falar isso, mas o pessoal que eu escolhi para "falar" aqui tem toda a voz desse mundo. Coloquei, inclusive, um link no nome de cada autor, caso alguém se interesse em buscar. 


1. "O adjetivo não complementa o substantivo, açoita-o" — Adrián Chávez.

2. "O adjetivo deve ser a amante do substantivo e não a mulher legítima" ― Alphonse Daudet.

3. "Evite o uso de adjetivos, especialmente os extravagantes, como 'esplêndido', 'deslumbrante', 'grandioso', 'magnífico', 'suntuoso'” — Ernest Hemingway.

4. "Quando hoje dizemos que o estilo de tal autor de ontem nos resulta insuportável, não estamos nos referindo ao fundo, mas aos ouropéis, pesos, maneirismos e ourivesaria da adjetivação" — Alejo Carpentier.

5. Não use adjetivos que nos dizem simplesmente como você quer que a gente se sinta sobre a coisa que você está descrevendo. Ou seja, em vez de nos dizer que algo foi “terrível”, descreva-o de modo que vamos nos aterrorizar. Não diga que foi “maravilhoso”, deixe-nos dizer “delicioso” quando lermos a descrição. Vejam bem, todas essas palavras (horrível, maravilhoso, terrível, exótico) são apenas você dizendo aos seus leitores “Por favor, você tem que fazer o meu trabalho para mim” — C. S. Lewis.

6. "O adjetivo, quando não dá vida, mata" — Vicente Huidobro.

7. Os adjetivos são as rugas do estilo — Alejo Carpentier.

8. Todo o talento de escrever não consiste, no final das contas, mais que na escolha das palavras. A precisão é que faz a força. O estilo é como na música: o mais belo e o mais raro que existe é a pureza do som — Flaubert.

9. "Os verbos voam, os substantivos correm, os adjetivos pesam" — Andres Neuman.

10. "O caminho para o inferno está pavimentado de advérbios" — Stephen King.

Bônus: Escrever é cortar palavras — Carlos Drummond de Andrade.



Tia, mas e a Clarice Lispector?

Pois é, a Clarice é a Clarice, né? O dia que você usar os adjetivos como ela...


*****

E vocês, como são escrevendo? Usam muitos adjetivos ou preferem algo mais enxuto?


*****


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12 comentários:

  1. Nossa, amei este post. Dia desses, eu li um texto com dicas de escrita de Chuck Palahniuk, em que ele diz para evitar "verbos de pensamento". O escritor teria que fazer o leitor sentir e não mandar ele sentir. Não dizer o que o personagem sentiu ou o que ele percebeu, mas fazer o leitor entender isso com ações, sem ter que dizer com todas as palavras. Tentando aplicar as dicas, percebi que é difícil demais fazer isso, principalmente quando escrevemos na primeira pessoa. Mas achei muito interessante, assim como essas dicas do seu post. Aprendendo sempre. Obrigada.

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    1. Oi, Marina!
      Que bom que os post serviu para algo. Adoro falar sobre isso, com certeza falarei mais vezes. Um beijo grande, obrigadaça pelo coment.

      Eu conheço essas dicas, e tentei também escrever algo seguindo-as, a experiência foi muito boa, porque mostra o quanto somos dependentes de certos vícios. Mas a questão não é abolir 100%, apenas reservar para horas importantes =). Encontrar a justa medida, a precisão do efeito, que é a grande jogada. bjsss!

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  2. Acabei de ver que uma das suas referências, o Papo de Homem, falava das dicas de Palahniuk. Bem, sobre elas: acho que como toda dica, devemos encarar como exercício, não como verdade absoluta.

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    1. Super, minha querida, você disse tudo neste coment. E como eu disse acima, a ideia é encontrar a justa medida, nem demais nem de menos =D

      Bjo bjoo!

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  3. Olá!
    Parabéns por este post e já agora, pelo seu blog.
    Digamos que você tocou no meu ponto fraco da escrita. :p Tal como você referiu em cima, citando "acho que um escritor iniciante acaba passando por esse caminho.", eu também cometi esse erro quando iniciei a minha primeira história. Os capítulos estavam recheados de adjetivos que qualificavam qualquer ação dos meus personagens. Na altura, confesso que achava a narrativa muito mais rica e recebia grandes elogios dos leitores. Mas, à medida que fui progredindo na escrita e ao rever os capítulos iniciais, percebi que o uso excessivo dos adjetivos retirava o foco da mensagem que eu queria transmitir. Achei a escrita chata, enrolada, sem dinâmica.
    Obrigada mais uma vez por este post. Penso que abre os olhos a muitos autores.
    Beijinhos da Rubi ;)

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    1. Oláá´, minha querida!
      obrigada pela leitura e visita <3
      Fico felicíssima que você tenha entendido a mensagem que eu quis passar.
      Mas eu também já escrevi lotando tudo de adjetivos, até que um dia li que a pior romancista do mundo fazia exatamente isso. E depois li Guimarães dizendo pra gente parar de gastar palavras. Abriu-se um novo mundo. Não vou dizer que me livrei 100% do vício, mas procuro apelar para outras figuras de linguagem e também para outros sentidos =).

      Um beijo!

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  4. Adorei, Salieri. Vou linkar pro "Letras que se Movem." Clarice, a Clarice é unica. Hoje postei palavras dela no blog. Muito respeito por Clarice!
    Bjs

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    1. Webaaa!
      Você sabe que tive várias curtidas e seguidas de pessoas que acompanham seu blog. A melhor parceria ever!

      Obrigada por ter gostado do post, escrevi com muito carinho e esperando que realmente possa fazer alguma diferença pra quem o ler =).

      E obrigada por ser uma parceira linda ♥♥♥♥♥♥♥

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  5. Por esse motivo que sempre quando preciso de uma ajudinha pra escrever eu corro aqui! - Adorei a postagem e com certeza vou usar para melhorar minha forma de escrita! Obrigada!!

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    1. Gente mas que felicidade em saber disso ♥
      Fez meu dia, minha semana, o mês, o anooo!

      Obrigada de coração, minha querida!

      Bjoo!

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  6. Li seu texto e corri para o meu blog. Na revisão que eu fiz não parece ter adjetivos exagerados... Tento ser o mais direta que posso, mas é como você disse: "um escritor iniciante acaba passando por este caminho".

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    1. Muito bom, minha querida <3
      Fico super feliz em ser ´útil <3

      BJoooS!

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