16.2.15

Pedras no caminho? Guardo todas... pra jogar na sua cabeça

16.2.15



Navegando pela net, a gente se depara com esta beleza:




Qualquer ser humano que conheça minimamente um poema do Pessoa, UM POEMA, bate o olho numa coisa dessa e já sabe que não tem nada a ver com nenhum dos cento e tantos heterônimos que ele criou.

Um cara que escreve sob o heterônimo de Ricardo Reis:

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada 'speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

escreve sob o heterônimo de Alberto Caeiro:

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.


escreve sob o heterônimo de Álvaro de Campo (meu preferido):

Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!


escreve ele mesmo:



Eis-me em mim absorto
Sem o conhecer
Bóio no mar morto
Do meu próprio ser.

Sério: essa pessoa pode ter escrito qualquer coisa semelhante como "pedras no meu caminho, guardo todas?" Não pode. IMPOSSÍVEL. Vamos conferir as fontes antes de sair citando os autores, galera!

Sobre a autoria do pensamento das pedras no caminho, achei no grupo do face O meu Pessoa que o o miolo do "poema" é atribuído ao Augusto Cury. A última frase, a de maior efeito, foi colada aí, mas pertence a um blogger brasileiro chamado Nemo Nox.

Então, vamos ler Pessoa, que Pessoa é VIDA! Super recomendo.

Olha um site que tem quase toda a obra dele em português e espanhol, ó:


http://www.fpessoa.com.ar/

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4 comentários:

  1. A internet, ao invés de ajudar o povo a pensar e ler coisas boas, só tá fazendo uma galera burra, divulgando coisas com procedências desconhecidas. Fim. ahusihasuidhsuish Nem discuto mais sobre isso.

    A Bela, não a Fera
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    1. É tenso, né? E mata a gente de raiva.
      Eu, com essa coluna, estou tentando fazer minha parte, que nem aquele continho do passarinho levando água no bico pra apagar o incêndio hahahaha.

      Obrigada pela visitaaa <3

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  2. Realmente esse poema não tem nada a ver com o estilo de Fernando Pessoa. Infelizmente tem pessoas que propagam textos sem conferir as reais fontes. Eu adoro os poemas de Fernando Pessoa. Depositou conferir o site que indicou. Bjsss

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    1. Cê num tem noção da raiva que eu fiquei quando descobri que era um texto do Augusto Cury. Respeito quem gosta, mas eu não gosto hahahaha.
      Acho que se você não sabe o autor de um texto, pelo menos coloca "autor desconhecido" hahaha, porque aí não faz os ossos dos grandes escritores saculejarem no túmulo hahahah.

      Enfim, é a vida. Continuarei procurando os verdadeiros autores de textos away pra fazer a minha parte pro mundo ser um lugar melhor hahaha.

      Bjo, miha querida, obrigada pela visita <3

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