9.1.15

[I Dare you] A volta ao mundo em 80 dias

9.1.15


Sinopse: Em 1872, vivia em Londres um homem misterioso chamado Phileas Fogg. Com a exatidão de um cronômetro, chegava todas as manhãs ao Reform Club, de onde só retornava a casa para dormir, precisamente à meia-noite. No dia em que admitiu Passepartout como seu criado, o metódico cavalheiro fez uma aposta com os outros sócios do clube, arriscando metade de sua fortuna. A outra parte gastaria para ganhá-la. Esta inesperada decisão de Fogg vai levar os dois a viverem uma ousada aventura. Fonte: Skoob


Sobre o desafio "I dare you", como eu já havia dito, o primeiro tema foi férias. Como eu não conheço muitos livros que falam especificamente, exatamente, desse tema, tentei uma gambiarra e decidi ler "A volta ao mundo em 80 dias", que trata de uma expedição de Phileas Fogg e seu fiel escudeiro Passepartout ao redor do globo, resultado de uma aposta com alguns senhores de um clube que Fogg frequentava (o Reform Club) incrédulos a respeito da realização de semelhante viagem em tão pouco tempo.

Obviamente, hoje, podemos fazer isso em muito menor tempo, só pegar um avião e ser feliz, mas como na história em questão estamos no século XIX, a aventura foi grande. 

O livro é escrito de maneira tranquila, muito objetiva e direta, por vezes até seca — digo por mim que estou acostumada com páginas e páginas de digressões. Acabei comprando uma versão portuguesa, e isso dificultou um pouquinho a leitura, algumas palavras só fizeram sentido com a ajuda do dicionário (como pagode e paquete, respectivamente: templo de Brama ou Buda — aparece muito quando Passepartout está em Yokohama, e navio ou barco — aparece no livro todo), mas não atrapalhou em nada, e adoro a escrita portuguesa, me ensina muito. 

A trama é linear, ou seja, tem começo, meio e fim, os acontecimentos se dão de maneira cronológica, e o foco está na sucessão dos acontecimentos, configurando um perfeito exemplar do gênero de aventuras. Realmente, a trama é cheia de peripécias, algumas que nos fazem até parar de respirar por um momento, por conta das expectativas.

O enredo gira em torno das personagens Phileas Fogg, um inglês muito culto e rico, o estereótipo do britânico; seu criado, o francês Passepartout, e Mrs Aouda, uma indiana salva pela dupla durante a passagem pela Índia. 

Fogg nunca perde a calma, mesmo diante das situações mais absurdas. Sua educação e polidez é invejável, mas é tamanha que passa da conta, e deixa a impressão de frieza, falta de humanidade. Porém, com o decorrer da trama, vemos que nossa impressão não está de todo correta.

Se Phileas Fogg é a cabeça da dupla, com certeza Passepartout é o coração. O criado é audacioso, simpático, leal ao extremo, está sempre de bom humor e apresenta uma tenacidade que também causa inveja. Sem querer, coitado, acaba colocando muitos obstáculos à viagem de Fogg, mas sem ele também os grandes acontecimentos ocorridos durante a viagem não teriam sido possíveis. E Mr. Fogg jamais teria encontrado o grande tesouro de sua viagem — que não vou contar qual é para não estragar xD.

Há também Mr. Fix, um agente de polícia que cisma com a ideia de que Fogg havia roubado o dinheiro que estava usando na viagem, tendo em conta que, no mesmo dia em que ele partia, o banco da Inglaterra é roubado, e segue a dupla a viagem inteira, também sendo responsável pelos obstáculos mais fortes à viagem de volta ao mundo.

Não sei vocês, mas eu, ao ver nomes tão estranhos, só pude pensar que significavam algo, de modo que acabei indo atrás dos significados. Deparei-me com este artigo de Ariel Pérez que discute um pouco a respeito disso. Sobre o nome de Phileas Fogg, diz ele:

No caso de Phileas Fogg (A volta ao mundo em 80 dias) muito se escreveu e comentou sobre ele. Uns dizem que o sobrenome de Fogg vem da palavra inglesa fog (neblina) e que Phileas vem do latim filius (filho), o que daria "filho da neblina". Os partidários dessa teoria tendem a vincular a criação do nome com as iniciais do Reform Club, a que pertencia o imutável inglês. Estes veem RC (as iniciais do nome do clube) uma alusão à palavra Rose-Croix, que significa Rosa Cruz (grupo ocultista fundamento em conhecimentos místicos) e ademais uma alusão a A Neblina, uma sociedade mística da época a que pertenciam alguns dos mais conotados personagens da sociedade parisiense. Outros presumem que Phileas vem de um verbo grego antigo que significa "o que gosta de". Tomando como ponto de partida a teoria da significação da palavra fog do exemplo anterior temos "o que gosta da neblina" que pode ter a conotação de ser uma personagem enigmática. 

Sobre Passepartout, achei este artigo, do blog ovonovo:

Composta do verbo “passar” e da palavra partout, [a palavra significa] “em todos os lugares, de todos os lados”.
Primeiramente, seria uma chave-mestra, que abre as várias portas de um mesmo edifício, por exemplo. Mas também: uma serra de lâmina longa, que deve ser manipulada por duas pessoas, uma de cada lado; o apoio de papel cartão, que fica entre uma gravura e a moldura; a máquina das embarcações para quebrar grandes geleiras; a peça que se adapta a diferentes calibres de seringas, de trilhos de trem.
Em sentido figurado, é aquilo que convém a toda e qualquer situação, que vai bem e agrada em todo tipo de contexto – assim como as palavras e tudo o que elas podem significar. Nelas muita coisa cabe.


Sobre Aouda, só encontrei esses dicionários toscos de "significado dos nomes" que diz significar "a que é audaz", porém, diz que a origem do nome é latina, e aqui estamos falando de uma indiana. Enfim, fico por procurar.

E Fix, seguramente, vem do verbo to fix, consertar. Ele é um agente da lei e seu maior objetivo era prender Fogg por acreditar ser ele autor do roubo ao banco da Inglaterra.

Pra quem gosta de aventuras, recomendo a leitura do livro. As primeiras páginas são meio maçantes, por conter descrições de todos os tipos (o que reforça a ideia de Fogg como uma pessoa excepcionalmente racional e metódica), mas, se você aguenta até a página 78, daí pra frente melhora bastante.

Recomendo também que a leitura seja feita acompanhada de um mapa mundi. É uma maneira excelente de conhecer o mundo. A wikipédia traz o trajeto feito pelas personagens que transcrevo aqui:


De Londres - a Suez - paquete e caminho-de-ferro
De Suez a Bombaim - paquete
De Bombaim a Calcutá - caminho-de-ferro
De Calcutá a Hong Kong - paquete
De Hong Kong a Yokohama - paquete
De Yokohama a São Francisco - paquete
De São Francisco a Nova Iorque - caminho-de-ferro
Nova Iorque - Londres: paquete, caminho-de-ferro



Fiquei muito satisfeita em conseguir ler o livro em um bom ritmo, agora vou para o segundo desafio antes que se acabe o mês.

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7 comentários:

  1. Ainda tinha tinha ouvido falar desse livro, mas achei interessante. Ainda não li meu livro do IDY de Janeiro, mas escolhi Aquele Verão, da Sarah Dessen.

    Beijinhos,
    May :*
    {tagarelando.net}

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    1. Oi, minha querida, obrigada pela leitura =3
      Hahaha, eu sempre começo super empolgada as coias, depois num termino, vamos ver se eu quebro esse tabu esse ano xD

      Quero ler sua resenha =3
      BJo!

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  2. Ai que tudo esse livro, nunca tinha ouvido falar dele. Mas realmente gostei.

    Já li meu livro do IDY só que ainda não fiz a minha resenha lol hahaha

    Beijos
    http://michellenavast.blogspot.com.br/

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    1. OI, minha querida!

      Julio Verne é o cara =3. Você deve conhecê-lo de obras como "Viagem ao centro da Terra" e "20.000 léguas submarinas". Esse livro foi bem gostoso de ler, uma ótima maneira de começar um desafio =3

      Um beijoo!

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  3. Bom dia Lady!
    Eu pensei imediatamente nesse livro quando estava escolhendo qual ler - mas, ao lembrar do filme Comer, Amar, Rezar, fui conferir, pois me encantei com o tema... adorei sua forma de escrever, obrigada pela visita!!!!

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    1. Ta super certo, minha querida!
      Eu tenho aqui comigo dezenas de leituras começadas e não terminada. Estou optando por esses livros, porque são livros que quero ler e não tive tempo de continuar, depois outras leituras solaparam essas e foi tenso... Enfim, mas vamo que vamo, eu curti muito, espero que você o leia depois!

      Obrigada pelos elogios e pela leitura =3
      Bjo!

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  4. De Júlio Verne eu apena li Viagem ao Centro da Terra, já fazem uns cinco anos, por isso até tinha me esquecido desse autor. Obrigada por reviver minha memória!Kkk
    Sua resenha foi muito bem feita, o que me deixou curiosa para ler este livro, será que é tão bom quanto o Viajem ao Centro da Terra?

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