10.1.15

Manicômio celeste para damas lunáticas

10.1.15


Sinopse: Em um manicômio onde os pacientes são as vítimas dos verdadeiramente loucos, duas garotas tentam sobreviver a todos os tipos de abusos. Com um tipo de dom sobrenatural, Emily busca em Juliet a redenção através do amor mais puro que jamais imaginou existir. Tudo o que desejam é a liberdade. Mas como se libertar quando a prisão não é aquela feita de pedras e ferro?




Comentário: Receio que meu comentário acerca da história da Cyndi seja leviano, dado que seu conto é uma leitura que exige muito do leitor, mas prometo ler com MAIS cuidado e escrever um comentário que a história mereça. Tentarei ser o mais sincera possível a todas as minhas impressões, no entanto não posso garantir nem clareza nem objetividade, seria algo contraditório...

O que primeiro chama a atenção na história, de fato, é a descrição do ambiente. Ao mesmo tempo em que subimos ao celeste, descemos ao inferno, como se as próprias promessas não levassem a nada que não fosse à decepção. E não é em busca de uma promessa que as famílias das vítimas deixam suas meninas ali? Promessas dos mais variados âmbitos que exigem os mais variados sacrifícios.

Em seguida temos uma cena forte de violência sexual. Nessa cena é mostrada a condição de muitas mulheres frente a muitos homens vida afora. E se eu levo essa questão para um âmbito ainda mais metafórico, eu poderia ver a violação constante da humanidade de muita gente que mal pode sobreviver nesse sistema. Se a ganância (ou a cobiça, por que não?) leva às famílias muitas vezes a essas atitudes extremas de desfazer-se de um problema antes de enfrentá-lo e consertá-lo, o que esperar dos relacionamentos entre as pessoas hoje em dia? Temos, nessa história, o retrato claro do que acontece na escuridão, naquele momento "em que ninguém está vendo", portanto, sou "livre"... E a liberdade em certos momentos viola demasiadamente o próximo...

Quando estamos perdendo as forças, juntamente com a personagem sendo violada, temos uma cena de amor que, ao contrário de nos consolar, nos machuca muito mais, pois a humanidade se torna latente... E podemos notar que ao contrário dessa via agressiva masculina, se trata de um amor puramente feminino. Associo-o particularmente ao terno, ao doce, ao maternal. É, de certa maneira, um amor "espelho", pois ama-se uma parte que é semelhante, uma outra mesma parte... Poderia associar Juliet e Emily como se fossem uma alma partida em dois corpos, ou ainda, dois aspectos de uma mesma pessoa. 

Ao longo da história notamos algo insólito: Emily tem uma habilidade especial. Ela é capaz de curar a amada das injúrias sofridas. E a Cyndi faz um movimento interessante quando descobrimos essa habilidade, porque, ao mesmo tempo em que narra Juliet curada dos ferimentos, torna a atmosfera ao redor de Emily ainda mais obscura. Claro, não sem motivo...

Em um determinado momento da narração, as duas são vendidas e embrenham um caminho pelo subterrâneo. Essa é talvez uma das partes mais simbólicas da narração. Por que fazer um caminho subterrâneo, se elas estavam em um manicômio "celeste"? Por que um túnel incrustado na montanha? Chamou-me a atenção, ainda, a descrição das raízes adentrando o local... Dessa forma, vejo o episódio como um empreendimento ao cerne, ao mais escuro de si mesmo, ao primitivo. É justamente nesse lugar que a força delas cresce e elas são capazes de lutar com o ente masculino opressor, contra a força bruta. Ali no mais profundo, são todos iguais e todos têm a mesma força. Ali, ainda, a cria engole o (des)criador, mata-o e supera-o. 

No entanto, a batalha não termina sem seus feridos. Mas confesso que essa parte ainda é obscura para mim. Preciso ver isso de novo. Mas isso não me desagrada, muito pelo contrário, tão melhor é uma história quanto a vontade de o leitor relê-la.

Enfim. Sou suspeita para falar da Cyndi, sempre fui. Por outro lado, não seria se ela não fosse boa. Acredito muito no sucesso dela como escritora. Acho, sim, que a história precisa de ajustes. Acho que peca um pouco nas construções por vezes exaustivas com adjetivos que sobram, que fazem com as palavras percam, muitas vezes, seu poder evocador. Mas não posso deixar de considerar o cuidado com que ela escreve. Não posso deixar de pensar que os excessos que comete é uma ânsia de acertar e trazer ao leitor o efeito sentido naquilo que é narrado, e isso de maneira precisa. Por isso, apesar de apontar esses detalhes, eles não me incomodam, porque sei o que eles significam. 

Avaliação: 


Acompanhem o trabalho da Cyndi: http://manicomioceleste.esy.es/

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2 comentários:

  1. Quando li o titulo do conto já fiquei muito curiosa.
    Lendo suas palavras sobre ele, agora tenho certeza que preciso ler.
    E assim farei o mais rápido que puder :)

    Adorei seu blog. A cada novidade estarei aqui <3
    Beijoss

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    Respostas
    1. Olá, minha querida =3

      Olha, pode ler que você não vai se arrepender. Recomendo de olhos fechados mesmo!
      Manda brasa e depois me conta *-*

      Bjoo!

      Excluir

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