23.12.14

Origens do Storytelling [parte 1]

23.12.14















Vou dividir esse assunto em pelo menos umas três postagens, antes de vocês morrerem sufocados com tanto texto.

Na postagem anterior das minhas dicas (aqui), discutimos um pouquinho sobre o que era storytelling, baseando-nos no vídeo ministrado pela Universidade de Postdam. Dando continuidade ao tema, e às aulas do curso, o tema subsequente discorre sobre as origens do storytelling. 



 


Esse vídeo fica a cargo do professor Dr. Hans-Christoph Hobohm que faz uma super breve introdução. Claro, o tempo nem permitiria que ele fizesse mais do que ele fez. De todos os modos, para mim, por ser uma introdução, ficou muito boa. 


Uma coisa bem interessante que ele faz, é  mostrar como, inicialmente, as histórias eram orais, ou seja, citando como exemplo, a Odisséia: a obra não foi "escrita" por Homero, nem se sabe se Homero realmente existiu. Histórias como Odisséia, Ilíada, eram recitadas pelos poetas rapsodos, de memória mesmo (o professor usa, para dizer isso, o termo mnemônica). E tinha-se que os rapsodos eram “inspirados” por alguma força. Há até um diálogo interessantíssimo de Socrátes com Íon, que era um poeta rapsodo, em que eles vão discutir essa coisa da inspiração, ou seja, o que é inspiração? Que força é essa?

Ficou interessado? Você pode conferir o diálogo AQUI

Enfim, uma questão interessante também sobre essas histórias é que elas eram contadas para uma comunidade e se referiam a uma comunidade. O herói representava uma nação. Essa coisa de a gente se tornar mais individualista veio mesmo com a burguesia, com o iluminismo e essas ideias de que o homem era o centro do universo. A invenção da imprensa por Gutemberg, claro, causou uma revolução imensa nesse sentindo. E isso não somente na distribuição e alcance dos livros, mas também na nossa própria experiência de leitura, ou seja, como eu havia dito, se antes havia a "contação" de histórias como atividade coletiva, a invenção da imprensa e o livro propiciaram a leitura silenciosa, individual (isso em maior escala, porque a leitura silenciosa já era praticada antes, na idade média, mas por um número reduzidíssimo de pessoas, já que as igrejas que mantinham as bibliotecas e o controle cultural, por assim dizer).

E o professor vai discutir sobre isso, especialmente no segundo vídeo dele (sobre o qual veremos amanhã), uma aula de pouco mais de 20 minutos em que é feito um super panorama da narrativa, em que é discutida a “evolução” do ato de contar histórias ao longo dos séculos. Ele mostra como, com o passar do tempo, a história vai se distanciando da “estória” (fazendo referência à diferenciação dos termos em inglês history e story, apesar de eu não gostar dessa diferenciação justamente por ser uma diferenciação – os historiadores piram xD). É quase ver como o homem vai supostamente tomando a rédea das situações e não mais se apresentando como um bonequinho dos deuses, senão como um sujeito capaz de intervir e mudar seu destino (o que a Odisseia já começa a por em cheque, na verdade).

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