9.12.14

O que é storytelling?

9.12.14

No final do ano passado, penso eu, estava muito empolgada com um curso online chamado "Future of storytelling", promovido pela Universidade de Postdam. Tive, inclusive, o projeto de discutir todas as vídeo-aulas sob o ponto de vista da teoria literária ("minha" área) e tentar contribuir um pouquinho com as pessoas que também estavam fazendo o curso, naquela altura.

Esse projeto resultou em uma série de posts atrasados, porém interessantes de se escrever. Vou incluí-los na minha seçãozinha de "dicas", porque penso que pode ajudar os escritores iniciantes a entenderem um pouco mais sobre a escrita e também posso usá-los como background para as dicas que ainda pretendo dar.


O primeiro vídeo do curso é este aqui. Vale muito a pena ver, ainda mais porque são apenas 5 minutos. E está legendado em português, basta ativar as legendas nas configurações do vídeo. 



Enfim, seguindo...

O vídeo começa lançando a pergunta (que é bem pertinente, claro):

WHAT IS STORYTELLING?


Ou seja, como se definiria o “contar histórias? Ela diz que em “storytelling” está englobado tudo o que tem a ver com “contar histórias”. Mas o que isso significa realmente? Alguém fez o exercício de responder essa pergunta antes de ter as resposta de alguns avaliadores? Eu tentei, e, para mim, antes de ter qualquer resposta sistematizada, me veio à cabeça um tio meu que é cheio de história pra contar. É engraçado porque eu sempre ouvi muita coisa dele sobre suas experiências, sobre sua infância, mas nunca consigo me lembrar do gatilho que o fizesse começar os seus “causos”. Creio que podia ser qualquer coisa, desde as mais simples, como o jeito de uma pessoa falar, ou uma determinada palavra usada, ou alguma coisa grave, alguma situação difícil pela qual alguém estava passando... Meu tio sempre buscava, e sempre busca, tantos nas suas próprias experiências, como no recorte feito, na ênfase ou não de determinado sentimento, objeto ou atitude, ensinar alguma coisa, divertir, ou fazer a pessoa pensar (porque, lógico, quem não tem uma história “sobrenatural” envolvendo algum parente que deixa algo no ar, sem uma explicação plausível?). Enfim, meu tio tem algo a dizer em muitas situações, tem uma mensagem a nos passar, mas também pega algo da gente quando conta suas histórias, como nossa atenção. Daí não pude deixar de pensar que essa é uma relação de duas vias, ou seja, o que meu tio faz quando conta suas histórias é estabeleces uma conexão comigo. Eu me aproximo mais dele enquanto escuto sobre sua vida e ele se aproxima de mim quando tem a minha atenção presa a ele. E justamente essa atenção é o elo que vai permitir que o efeito que ele quer causar (seja de susto, seja o riso, seja a tristeza) seja certeiro, digamos assim”. Bom, acho que não respondi nada, mas a imagem pode servir para alguma coisa mais adiante xD.

A resposta é dada por algumas pessoas. Um dos entrevistados, Robert Pratten, diz uma coisa interessante, porque relaciona o que é o contar histórias ao que uma história faz, ou seja, para ele, sua ênfase cai no efeito que ela provoca. O contador de história vai buscar os pontos relevantes do que dizer, ou seja, fazer um recorte de uma situação dentro de sua própria vida, por exemplo, assim como aquela pessoa que recebe essas “informações” está buscando também algo de relevante. Não gosto da palavra “informações”, narrativa não tem nada a ver com informação pra mim, por isso mantive entre aspas xD.

Em seguida, quem responde a pergunta é a Maria Grau Stenzel. Eu gosto mais da definição dela, e creio que é quem mais se aproxima de uma definição mesmo, porque associa o contar histórias com “expressão”, aproximando-o do conceito de “arte” mesmo. O contar histórias é uma expressão de uma linguagem. E essa linguagem não tem que ser necessariamente verbal.

Por último, foi a escritora Cornelia Funke. Consta no vídeo que ela é autora do livro “coração de tinta” (nunca li, vi o filme e não gostei também xD). Ela já faz um recorte dos variados tipos de contar histórias. Ela não define o que é uma história, mas define o gatilho que pode resultar em uma narrativa (isso sempre me lembra Proust com “em busca do tempo perdido” – eu nunca li inteiro – em que o mergulhar de um bolinho numa xícara é o gatilho para uma história de 3 mil páginas). Mas a autora o faz exatamente para dizer que, para ela, não existe uma definição de narrativa, senão que cada autor deve fazê-la por si só.

Para fechar, a professora Maria Cristina tenta fazer uma síntese entre as respostas acima, afirmando que seu ponto em comum é justamente o fato de que há um contador e uma história, ou seja, a o conteúdo e também há o dizer. Acho que isso é uma das coisas mais importantes de todo o vídeo, e temos que atentar para o fato de que o “quê” está intimamente ligado ao “como”. A história pode ser a melhor do mundo, mas se houver alguém que não souber contá-la, ela simplesmente perde o efeito. Isso acontece muito quando alguém nos conta algo super legal e a gente vai passar pra frente, e sai aquela coisa mais sem graça. Daí a gente ainda completa: “mas fulano contando, é muito boa!”.

Para fechar esse vídeo, e também para funcionar como um motivador, eu recomendaria o texto do Umberto Eco chamado “Sobre algumas funções da literatura”. É um texto rápido e fácil, além de ser muito lindo:

Sobre algumas funções da literatura - Umberto Eco by Rodolfo Colombari



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Um comentário:

  1. Nossa eu não conhecia, gostei muito!

    www.vestindoideias.com

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