18.12.14

História da Liga dos Betas

18.12.14



Eventualmente, eu cito, em todos os meus círculos sociais, a Liga dos betas. Se a pessoa não pertence à comunidade do Nyah, no entanto, fica difícil saber do que estou falando. Assim, hoje pretendo falar sobre a Liga e tentar responder questões a respeito de como ela surgiu — e esses dados que já foram motivos para os sentimentos mais desesperadores dos meninos do grupo, eles saberão por que (sim, piada interna).

Já contei aqui neste post a minha trajetória no Nyah! Fanfiction. Desde a minha entrada, o termo "beta reader", que vi em alguns perfis aleatórios ao longo das minhas buscas, me intrigou bastante. A Ana Luisa, minha parceira no crime, explica bem explicadinho o que é um beta reader no blog dela, o Mansão das Letras, mas vou trazer um trechinho que resume bem a questão para seguirmos com o post:

Então, basicamente, o que é isso de “beta reader”?
Traduzindo a expressão inglesa para português, “beta reader” quer dizer “leitor de teste”. No seu sentido mais amplo (alargado), isso quer dizer que um beta é uma pessoa que se disponibiliza a ler a tua história e que te dá uma opinião sobre ela antes de a mostrares a um público maior. É assim tão simples.
No entanto, hoje em dia, há inúmeros betas que fazem mais do que isso.
Há betas que funcionam como revisores e que te podem corrigir os textos. Há betas que funcionam como “leitores atentos” e que procuram apontar-te erros no conteúdo, os buracos do enredo, as contradições das personagens, etc. Há betas que funcionam quase como professores de português e que, para além de corrigirem os teus erros de escrita, explicam porque é que algo está errado, e dão sugestões para que algumas expressões esquisitas sejam melhoradas, apontam os teus pontos fortes e fracos, procuram ajudar-te a escrever de forma mais límpida e direta. E depois, claro, há betas que fazem tudo isso e muito mais ainda.


De início, apenas havia associado a figura do beta ao revisor, pois quando entrei no Nyah, acadêmica engessada, revisão era o mais longe que eu pensava poder invadir o texto de uma pessoa. Mas com o passar do tempo vi que muitos autores do Nyah precisavam muito mais do que apenas revisão textual, e eles buscavam muito mais que isso também. 

Do que exatamente os membros do Nyah precisavam? 

Pra mim:

1. Um suporte que fosse capaz de funcionar como um orientador do autor iniciante, quando este se perde nas histórias que escrevem, fugindo completamente da ideia inicial.
2. Esse orientador deveria acompanhar o autor durante todo seu processo, até que a história estivesse terminada.
3. Um corretor/revisor para mostrar onde o autor estava errando, tanto na parte gramatical, como na coerência dos fatos.

Bem aquilo que a Ana Luisa colocou no post dela sobre ser beta reader. =D

Inclusive, quando me apliquei para o cargo de professora de português do site, no início de 2012, fiz um textinho (exigência do processo — escrever sobre "por que é importante escrever bem nos dias de hoje") até indo contra a gramática em certo grau, pois escrever bem nem de longe está associado apenas a uma gramática e ortografia livres de "erros". A escrita literária sempre foi revolucionária, então, claro, sempre violentou os preceitos tradicionais de diferentes ordens.

Ao ver que tinha passado no processo seletivo, e tendo assumido meu posto, tratei logo de pedir permissão aos superiores para criar esse grupo de beta readers, de modo que pudéssemos ajudar muito mais o autor, além das aulas de português. Todavia, desde o começo, deixei claro que não queria uma lista de betas, queria um grupo onde realmente nos portássemos como grupo, que pudéssemos interagir, trocar experiências, tirar dúvidas etc. 

Nesse ínterim, comecei a ler a fanfic Lua Eterna (sobre Sailor Moon) da diva da Cyndi, e começamos a discutir essa necessidade do beta reader. Contei pra ela meus planos, isso tudo por MP, ela achou legal, e combinamos de tomar uma providência. 

Seiji me contou na época de uma rede social que ele estava desenvolvendo (entre abril e maio de 2012, a data é uma incógnita) o famoso (e falecido) Hanashi. A ideia do Hanashi era suprir todas as deficiência de interação social que o Nyah tinha, e o nosso grupinho de betas viria bem a calhar aí, pelo menos inicialmente.  E foi o que fiz. Primeiro de tudo, adicionei a Cyndi, minha co-fundadora, mas, de todos os modos, nesse comecinho não tínhamos exigências, bastava a pessoa entrar no grupo e pronto, meio que avaliaríamos suas capacidades de escrita pelo que elas postavam no próprio fórum. Como essa noção de ser beta não era por nada famosa, começamos o grupo com 15 pessoas, e depois chegamos ao número máximo de 30 (sendo que, desses 30, apenas os mesmos 15 de sempre participavam xD).

No início nos chamávamos apenas Grupo de Betas Oficiais do Nyah! Fanfiction (oficiais, claro, porque eu estava à frente do processo, um membro da staff). Porém, com o andar da carruagem, sentimos a necessidade de criar um nome. Daí é aquela coisa, todo mundo muito ruim com nomes, até que a Cyndi disse que parecíamos com uma Liga. O lado nerd aflorou e, pronto, seria o nosso nome de ali em diante. Cyndi chegou a criar um avatar para usarmos no grupo, lá no hanashi. O pessoal ainda o vê em algum lugar ou outro:




Em pouco tempo o Hanashi fechou, acho que em junho ou julho de 2012, e antes de ele fechar, fiz um backup de algumas coisas importantes do grupo (só uns 50% porque eu sou lesada mesmo =S), e migramos para um grupo no face até termos um espaço mais digno, um fórum, onde a informação pudesse ficar organizada. Perdemos a metade dos membros (os menos participativos, of course), todavia, em pouco tempo o fórum ficou pronto, e aí estávamos, crescendo de novo.


Primeira capa do fórum, feita por mim, no paint (ô, coisa horrível xD)


Nesse início, não havia qualquer burocracia. Quando a pessoa queria entrar na Liga, ela me mandava uma MP, eu dava uma fuçada no perfil dela, e via a maneira como ela escrevia. Se fosse satisfatória, ela entrava, se não, não entrava. E pronto. E demos muita sorte nessa época, porque sempre quem nos procurou foi gente muito boa, muito boa mesmo!

Também não tínhamos nenhuma organização. Éramos um grupo e pronto, tomávamos as decisões em conjunto, discutíamos os reveses, fazíamos as críticas pertinentes, buscávamos informações. Mas éramos 15 pessoas, e realmente a vida era muito fácil nessa época. 

Com o tempo, vimos que precisávamos de um método mais sofisticado para aceitarmos os betas no nosso grupo e Cyndi decidiu que um pequeno processo seletivo seria o melhor. Abríamos inscrições uma vez por mês, envíavamos um pequeno teste para medir as aptidões de beta da pessoa (quem não lembra de Jão i Pedru? xD) e se fosse satisfatória a crítica da pessoa em relação à história, ela entrava. A história do teste era muito trash mesmo, daqueles textos tão sem noção que a pessoa não sabia por onde começar xD.

Nos nossos processos seletivos, nessa época, se inscreviam umas cinco pessoas por mês, dentre as quais entrava uma ou nenhuma. Cada vez que uma pessoa entrava era uma alegria, porque a dificuldade de encontrar um beta era muito grande. 

Com o crescimento (beeeeem gradual) do grupo, tivemos posteriormente que separar, dentre os participantes, um grupo que ficasse responsável pelas atividades administrativas, de maneira que o grupo pudesse manter a qualidade que vinha lutando por manter. Minha escolha para compor esse grupo foi bem simples: separei as meninas que estavam comigo desde a época do hanashi e assim formamos o team. Ser team não era nada de mais. Era, por um lado, um reconhecimento para quem estava comigo desde o iniciozinho, por outro lado, uma força nas tarefas para que tudo não caísse nas minhas costas, ainda mais porque na época estava escrevendo minha dissertação, terminando a monografia, uma loucura, tudo junto... Mas o team não tinha uma função definida, quero dizer, ia da vontade da pessoa ajudar quando aparecia uma coisa, apenas isso.


Primeira capa do grupo no facebook, feita pela Diandra =D, e ilustrava bem nossos objetivos de vida enquanto betas

E seguimos assim até mais ou menos 2013 quando o Seiji decidiu colocar o grupo no Nyah. Aí foi aquele Deus nos acuda. Até o momento, nosso recorde de inscritos para um processo seletivo, em quinze dias, tinha sido 40 pessoas, dentre as quais passou umas 10. No Nyah, em dois dias tivemos 250 inscrições para beta. Sem contar que antes a gente tinha que pegar autor no laço, e de uma hora pra outra, as solicitações começaram a chover para os meninos, aquela loucura. Os dois primeiros meses foram difíceis demais para nos adaptarmos. Mas conseguimos. No entanto, a configuração do team, em que os membros ajudavam como podiam, sem ter uma função definida, não estava mais dando conta de manter a Liga como um grupo coeso. E estava acontecendo muito de um membro estar com 9142317648215689 tarefas nas costas e outro estar ali apenas de figuração, em prol de um reconhecimento que já não era tão merecido. 

A Cyndi precisou sair para trilhar novos caminhos, e aí que me senti meio impotente diante dos processos mesmo. Então decidi reformular a liderança da Liga e criar as coordenações, ou o decenvirato, como o Rapha gosta de chamar, e definir áreas, de modo que cada membro — dupla de membros, para ser mais específica — dessa liderança pudesse contribuir com um pouquinho sem sobrecarregar um ou outro.

E tem funcionado. Depois de dois anos e meio de existência, somos mais de 100 pessoas, de variadas regiões lusófonas =), de diferentes idades, diferentes formações. Estamos divididos em cinco grandes áreas: o seguimento (que cuida do status da membresia, de avisos e advertências); a seleção (que cuida dos processos seletivos); a interação (que cuida para manter o grupo o mais coeso possível, e também cuida para que a Liga chegue a comunidade); a comunicação (que disponibiliza as ferramentas de aprendizagem da Liga) e o apadrinhamento (que cuida da indução do pessoal da Liga, de adaptá-lo à nossa rotina e introduzi-lo na nossa cultura). A Liga já funciona sem mim, o que não acontecia em 2013, e isso é o melhor de tudo, pois o projeto é o mais importante, e ele deve seguir, porque faz diferença. 

Porém, o principal, pra mim, é ver a meninada da Liga, gente novinha mesmo, e estudantes de escolas estaduais, quebrando os preconceitos aí, preocupada com escrever bem, fazer bons textos, discutindo temas que vão muito além da idade deles para isso. Meninos com um senso crítico aguçadíssimo, inteligentes de verdade e que me dá esperança no futuro.

O amigos também que a gente termina fazendo, é laço forte mesmo, coisa pra vida toda ( <3 Clara de Assis <3)

E, nas palavras da minha parceira, Ana Bunny =P

Também é das coisas de que mais gosto na Liga, ser nerd cá dentro é muito bom porque as pessoas entendem ou tentam entender dos assuntos que são levados lá, seja de linguística ou seja do raio que o parta XD e ajudam-se meeeeeeeesmo e há flood e há mega interação e toda a gente é mega fofa *----* ! E, claro, mais diretamente sobre isso da linguística e da interpretação de textos e literatura e livros e técnicas de redação e de tanta coisa.... ~ ver assuntos e questões levantadas nesses tópicos deixa-me super contente por ver e conhecer pessoas com os mesmos interesses na língua e nas histórias acho tbm que é das coisas mais positivas e recompensadoras da Liga ! ~ é tudo tão fixe e giro XD também me parece que a Liga já existe e faz parte da minha vida tbm há imenso tempo XD (tirado do facebook, e a Ana vai me matar por isso xD)


Para aqueles que acham que faltaram coisas, ainda pretendo escrever:

1. Sobre os nossos mascotes e sobre o brasão.
2. Sobre as 300 tentativas de sites e blog.
3. Tentar fazer uma árvore genealógica a partir do apadrinhamento (porque quando a gente fala que é família, é verdade hahaha)
4. TRETAS HOMÉRICAS


Beijos, seus lindos <3

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Um comentário:

  1. "Kinder Ovo?" CADÊ?! Quero. <3
    HAHAHA! Melhor objetivo da Liga!
    >.<

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