29.11.14

Weeds [2005/2012]

29.11.14






Gênero:  Humor negro/ sátira
Episódios: 102 (8 temporadas)
Ano: 2005 - 2012
Canal: Showtime
Criadora: Jenji Kohan

Sinopse: Weeds conta a história de Nancy Botwin (Mary Louise Parker), uma dona de casa que fica viúva e, para manter o mesmo estilo de vida, torna-se uma traficante de drogas (maconha, especificamente) no subúrbio da Califórnia.




Elenco principal:


Hunter Parrish - Silas Botwin

Justin kirk - Andy Botwin
Alexander Gould - Shane Botwin
Mary Louise Parker - Nancy Botwin
Kevin Nealon - Doug Wilson


Vi AQUI

Online: Legendado em português

 

Comentário: Definitivamente, Weeds é uma série adulta e de uma ironia tão fina que chega a causar impacto. Tenho de confessar que me surpreendeu que fosse escrita por uma mulher. Não digo por preconceito nem nada, mas é que o teor da série é tão masculino que realmente me fez sentir orgulho de ser mulher. Tudo bem, comentários away, desculpem-me o entusiasmo.

Há muitos pontos a ser discutidos na série. O primeiro deles diz respeito à própria cultura norte-americana, sua postura dúbia frente ao "sistema", de um modo geral, e ao problema das drogas, de um modo mais específico. E isso não é "dito" na série em nenhum momento, mas jogado na nossa cara por meio das ações ambíguas das personagens. A série ilustra de uma maneira brilhante aquele ditado: "a ocasião faz o ladrão". E sabemos que os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que se posiciona como maior apoiador de políticas anti-drogas, é o maior mercado consumidor de drogas no mundo. Sobre isso fala Weeds, de uma maneira engraçada, obscura e às vezes muito crua.

A primeira temporada é brilhante. De uma finesse que pode passar despercebida por muitos. Nancy trafica suas drogas, ao mesmo tempo que mantém a aparência de dona de casa exemplar, pai e mãe de seus dois filhos: Silas, o mais velho, típico adolescente, e Shane, que é um perfeito exemplar  do "estranho". Soma-se a isso o círculo social da família, composto pelo mais perfeito (NOT!) high society: esposas de advogados, advogados, economistas etc... Todos eles metidos no esquema de Nancy suportando-a de alguma maneira. E essas demais personagens (como o advogado Dean, o economista/contador Doug e a dona de casa Célia) são tão absurdamente estúpidas para determinados assuntos que nós nos perguntamos como elas ficaram ricas sendo tão idiotas. O estereótipo do norte-americano. 

No entanto, as arestas não aparadas começam a ficar cada vez maiores. Na primeira temporada temos as filhas problemáticas de Celia e Dean. A mais velha (da qual não me recordo o nome agora) namora Silas. Ela tem uma visão cruel e verdadeira de todo o contexto... A mais nova, tendo na faixa de 10-11 anos, foge do que a mãe quer para ela e se declara lésbica. O casamento de Celia e Dean também está em colapso porque ela se casou com ele simplesmente por seu status. Doug e a esposa também têm problemas conjugais, e todos encontram sua válvula de escape na maconha traficada por Nancy — ou no sexo entre eles que sempre acontece de uma forma assustadora pra mim. Eles fazem sexo por tudo, menos por qualquer conexão amorosa. E só isso seria um ponto a ser largamente discutido... Mas ao qual não vou me ater.





A primeira temporada é, sem sombra de dúvidas, a melhor de todas. No decorrer da série, na minha opinião, a coisa toda vai ficando grande demais. A criadora, nesse ímpeto de escrever sempre uma temporada que cause mais impacto que a outra, vai tornando a série cada vez maior, mais louca e mais estranha. Não digo em um mau sentido, de modo algum, e até compreendo. Todavia não posso deixar de observar que aquela finesse do início vai sendo abandonada aos poucos. Nancy perde aquela aura dúbia que a fazia humana e vamos cada vez nos identificando menos com ela. De uma mulher que quer manter sua família  ela se torna uma amante do perigo e inconsequente, sem contar que aquele caráter "Mary Sue" (ou seja, perfeitinha que conquista a todos), apesar de bem trabalhado, irrita um pouco. Os filhos terminam envolvidos nesse mundo que ela quis evitar envolvê-los, e parece que ela passa a não se importar muito com isso. Nancy se torna uma espécie de "baronesa da droga", e ela chega a se envolver com os "cachorros grandes" do ramo, até mesmo a se relacionando com um barão da droga mexicano. Descobrimos o seu gosto pelo sexo que é feito sempre da forma mais crua nos lugares menos românticos, com as pessoas e pelos motivos que menos podemos acreditar. E, como eu disse, o sexo serve para tudo, pagar favores, manipular pessoas, agradecer intervenções, menos ligação amorosa. - tanto que a unica pessoa a quem ela se sente ligada, o cunhado Andy Botwin, é a única pessoa com quem ela não fode, seja literalmente, seja metaforicamente (pelo menos até o último segundo, do ultimo minuto)... Não, mentira, metaforicamente ele é a pessoa com ela mais fode... xD




Essa finesse da primeira temporada só vai ser retomada na última, para nosso deleite, quando o filho pródigo retorna ao lar depois de uma jornada pelo mundo afora repleta de extremos altos e baixos, incluindo cadeia e relacionamento homossexual para garantia da proteção... (e essa namorada dela, inclusive, termina provendo cenas muito hilárias na 7a temporada). Enfim, a comédia perpassa o drama o tempo todo tornando-o menos absurdo por torná-lo mais absurdo. Sim, sim, é isso mesmo que eu quis dizer.

Não quero contar muito para não estragar a surpresa. Definitivamente é uma série que merece ser vista. Eu devorei os episódios. Tecnicamente era para ser um tapa buraco das férias das minhas outras séries, mas ao final do primeiro episódio estava conquistada e só pude retomar minha vida ao ver o último. Portanto, recomendadíssima!


Avaliação: 


Pontos fortes:

* Uma série totalmente atual.

* Enredo interessante.

*Foge do clichê na maioria do tempo.

*Personagens dúbias: sempre no limite do caricato e do humano.

*Participação da atris Kate Del Castillo (alguém vê novela mexicana, ela fez "A mentira" *-*).

*Trilha sonora maravilhosa.

*Muitas participações especiais - de fato especiais - como Albert Brooks, Mathew Modine (*-*), Mary Kate Olsen, Alanis Morrisette, Zooey Deschanel (essas são as que eu consigo lembrar).


Pontos fracos:

*Perde um pouco do foco ao longo das temporadas.

* Perdemos um pouco a empatia com a situação da Nancy.

* Demorou em retomar sua essência.


Personagens interessantes:

Essa é realmente uma daquelas séries difíceis de se estabelecer as personagens interessantes. Todas são para falar verdade. E todas elas tiveram sua importância ao longo da trama, mesmo quando pareciam não ter.


1. Nancy Botwin:




Protagonista da série. Ela se torna traficante de maconha para "manter seu estilo de vida". Ao longo da história, porém, conforme seus atos vão trazendo consequências cada vez maiores, notamos que Nancy revela um gosto por esse estilo de vida "fora-da-lei" e termina envolvendo toda sua família  mesmo tentando evitar a princípio. Como eu disse mais acima, no início, nos identificamos completamente com ela, e achamos suas peripécias até engraçadas, mas, no decorrer da trama, a gente começa a temer por ela e, em seguida, já não acredita que haja muita humanidade ali...


2. Andy Botwin:




É o cunhado de Nancy. No início se mostra como sendo uma pessoa totalmente sem noção, mas, ao longo da história, se revela uma personagem cada vez mais complexa e humana. O Andy, pra mim, se torna a grande a sacada da história quando a Nancy perde o seu lugar, digamos assim. Se no início a gente se identifica com ela, e o acha simplesmente um "porra-loca", no decorrer da história esses papéis se invertem. Chega um momento em que a vida da Nancy está tão doida, que o próprio Andy se assusta e começa a achar aquilo tudo, além de perigoso, sem propósito. 


3. Silas Botwin:




Ele começa a série como um adolescente regular. É totalmente bobão e sua vida gira em torno da namorada. Ao se dar conta de que a mãe é traficante, ele começa a traficar escondido e vai muito bem nesse ramo, descobrindo sua vocação. Em seguida, ele passa a insistir com a mãe para traficar com ela, e isso é extremamente impactante. Nancy não quer envolver o filho, no início, mas termina envolvendo. 

Assim como Andy, Silas vai ficando mais interessante ao longo da série, se tornando uma das (se não "a") personagens mais lúcidas e maduras entre todos eles. 


4. Shane Botwin:




Se a jornada de Silas pode ser considerada "ascendente", a de Shane com certeza é "descendente". O menino inicia a história com um grau de esquisitice acima do normal e ninguém o leva muito a sério. Possuindo uma mente brilhante, sempre tem as maneiras mais criativas de chamar a atenção. No entanto, em contato com esse submundo no qual a mãe vive, Shane, que já não era muito certo, capta todas as energias negativas do ambiente, imita todas as referências erradas que o rodeiam, chegando ao passo de ser considerado "psicopata". 

5. Doug Wilson:




Doug é o alívio cômico da história. Ele é um contador muito talentoso, mas aprecia demasiadamente "maconha" e passa 90% da série completamente chapado. Na primeira temporada, ajuda muito a Nancy criando negócios fantasmas para que ela possa fazer lavagem de dinheiro. No decorrer da história, todavia, praticamente se torna uma carga para a familia, acompanhando-os para tudo o quanto é lado. Tem uma pre-disposição incrível para se manter em encrenca. É o retrato estereotipado do norte-americano. 


6. Peter Scottson:




Peter é agente da divisão de narcóticos e um dos namorados de Nancy. A principio parece ser o príncipe encantando, mas, como todos na série, possui um caráter dúbio e maneja a divisão a que pertence de acordo com seus próprio interesses. Chega a ajudar Nancy muitas vezes, mas ela termina colocando-o em maus lençóis e a situação muda totalmente de figura, assim como ele.


7. Esteban Reyes:



Esteban é um barão da droga mexicano que Nancy conhece e que se torna seu amante. Paralelamente a isso, ele é prefeito de uma cidadela mexicana, usando de sua influência política para manejar seu negócio paralelo. Apesar de implacável contra seus inimigos é uma pessoa que valoriza a familia. O destino dele é semelhante ao destino de Scottson, Nancy como sempre revirando completamente a vida de todos os homens com quem se relaciona.


8. Pilar Zuazo:



É a figura por trás de Esteban que cuida de toda sua carreira política. Mantém uma influência absurda sobre ele, o que acarreta em brigas constantes com Nancy, já que ela está sempre ameaçando Esteban como figura pública. Pilar é uma mulher fria, independente e muito poderosa. Não é revelado muito sobre ela na série, mas ela tem um importante papel, mesmo que breve. 


9. Ignacio:




Ignacio é uma figura. Capanga de Esteban, é designado para ficar de olho em Nancy e termina se tornando uma figura de referência especialmente para Shane, ensinando ao garoto todos os seus "valores".


10. Jill Price-Gray:




É a irmã de Nancy. Tão doida quanto a irmã, apresenta-se como uma outra possibilidade de Nancy. Ela é casada e duas filhas gêmeas. Mesmo com uma vida supostamente estável, odeia tudo que está ao redor, e sempre tem crises matrimoniais. Tem uma grande inveja de Nancy, acreditando que irmã tem uma vida emocionante,e culpando-a por ter fugido na adolescência, ao passo que ela teve de ficar cuidando dos pais doentes.



12. Sullivan Groff





É o estereótipo do empreendendor. Possui todo aquele discurso "de manual de autoajuda" na ponta da língua. Mas "na realidade" é outra coisa bem diferente. Tem um breve envolvimento com Celia, mas termina se envolvendo também com Nancy.

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2 comentários:

  1. Gostava dessa série também! uma amiga me apresentou na faculdade. Bem legal :)

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    Respostas
    1. Oi!
      Então, eu comecei a ver por nada também, todas as minhas séries estavam em hiatus, daí pensei "bom, vá lá..." Bastou o primeiro episódio pra eu ver a série inteira na carreira mesmo xD
      Bjooo!

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