30.11.14

El estudiante [2009]

30.11.14


















Ficha técnica:
El estudiante, México, 2009, drama

Dirección: Roberto Girault
Producción: Roberto Girault, Gaston Pavlovich, Ricardo Ferrer
Guión: Roberto Girault, basado en una historia de Gaston Pavlovich
Fotografía: Gonzalo Amat
Montaje: Roberto Girault, Ariana Villegas
Interpretación: Jorge Lavat, Norma Lazareno, José Carlos Ruiz, Daniel Martínez
Calificación: Apta para todo los públicos
Distribuidora: Flins & Piniculas

Na faculdade, faço parte de um projeto que eu amo muito chamado "Ciclo de Cine Argentino e Encuentros de Cine en Español". De quinze em quinze dias, passamos um filme latino-americano e, ao final, fazemos uma pequena discussão compartilhando nossas leituras. Vale muito a pena, sempre saímos com a visão ampliada a respeito de algo que não tínhamos visto antes.


O último filme que vimos foi o mexicano "El estudiante", do diretor Roberto Girault. Esse filme, que ganhou vários prêmios no México (incluindo o de melhor diretor e melhor filme) e ficou em cartaz bastante tempo, sustentado mais pelo "boca a boca" que por realmente uma grande campanha de marketing, conta a história de Chano (apelido de Juan), um senhor de 70 anos que decide realizar um sonho da juventude: estudar. Ele, a contragosto da família, mas ainda apoiado por ela, se matricula no curso de Literatura da Universidade de Guanajuato e, nesse lugar, além de aprender, com sua experiência de vida, ele muito ensina aos seus colegas de sala.

Comentário: Sendo bem crítica e talz, é um filme comercialzão mesmo. Inclusive, uma das presentes no evento comentou que os atores são famosos nas novelas da Televisa (eu já não ando muito atualizada com as novelas latino-americanas... xD). Então realmente não podemos pensar nele como uma obra-prima que rompe paradigmas ou algo do tipo (pra falar a verdade, nem acho que essa foi a proposta do diretor). No entanto, não é só porque não faz parte das "altas culturas" que deixa de ser legal, deixa de ter seu mérito ou deixa de emocionar. Muito pelo contrário, creio que, salvo algumas exceções de muita musiquinha comovente e blá blá blá, o filme passa uma mensagem muito bonita e, na minha opinião, válida para os tempos de hoje, que envolve a humildade em saber que nunca é tarde para o aprendizado, e que a vida é a nossa grande e mais desafiadora universidade. Então esse papo de conseguir títulos e mais títulos não diz nada sobre ninguém e não torna ninguém melhor, mais maduro ou mais sábio. Tenho dito xD

No meio disso tudo, não posso esquecer de falar do grande eixo condutor do filme que é a personagem "Don Quijote" e sua história. Superficialmente, sempre que pensamos nessa personagem, vem à nossa mente a figura do louco, lutando contra moinhos de vento que, aos seus olhos, são gigantes. E vale a leitura, afinal, a velhice tecnicamente marca o fim da vida, aquele momento em que a gente vai finalmente "descansar" e nos distanciar da rotina louca do mundo, aproveitando a companhia da família e dos amigos. Mas Chano, contrariando isso, e contrariando esse mesmo desejo de sua esposa, decide "recomeçar" sua trajetória, iniciando uma vida universitária. Vendo a universidade como um espaço de vários rituais de iniciação, Chano se apresenta ali como um elemento de desconcerto.  


Fazendo uma leitura um pouquinho mais aprofundada do Don Quijote, sabemos que "o cavaleiro da triste figura" representa uma tradição ultrapassada que entra em contato com uma nova tradição em sua jornada, ou seja, enquanto o mundo está entrando na modernidade, Dom Quixote está carregando o peso de todo o medievo com seus valores e honra, etc. O livro como tal rompe uma tradição, sendo considerado o precursor do romance moderno, frente às novelas de cavalaria, comuns na época. E mais ou menos a mesma coisa acontece com o Chano que, ao entrar para a universidade, onde, no México, não é muito comum gente mais idosa frequentar (conforme eu li aqui, depois da indagação de uma professora no evento), também vai sofrer vários choques com uma cultura/tradição que, de início, parece muito distante da sua, nos embates com os jovens alunos ingressantes.

Outro ponto que me parece importante no filme, e casa muito bem com essa noção de "tradição anterior" é o certo ar de nostalgia que ronda todo o círculo familiar do protagonista. Foi-se muito enfático em criar aquela atmosfera de que "no passado as coisas eram melhores, os ideais eram mais puros, os sentimentos mais verdadeiros" etc etc. Então temos um protagonista que tem o ideal de esposa como esposa (xD), ou seja, uma mulher que sempre ficou à sua sombra, apoiando-o, ajudando-o, cuidando-o. Ele também tem duas filhas, e todos são lindos e se amam, algo bem ideal mesmo, bem "como deveria ser". Isso obviamente é o que torna Chano digno de ser um orientador e um mestre para esses jovens com quem ele se relaciona, ou seja, um modelo de pai, marido, ser humano, e essas coisas.

Os jovens com quem nosso protagonista se encontra se resumem a um grupo de 5 pessoas que simbolizam as várias iniciações e problemas pelos quais passam (ou podem passar) um jovem universitário comum durante sua jornada pela instituição: a descoberta do amor, o amor platônico e não correspondido, envolvimentos entre professores e alunos, gravidez indesejada, as decisões sobre o futuro e as drogas. 

A grande questão é que se, por um lado, há vários choques de uma geração para outra, de uma "tradição cultural" para outra, por outro lado, muitas coisas são intemporais, especialmente aquelas que dizem respeito à interação entre as pessoas, os sentimentos, os desejos e aspirações, ou seja, em relação àquilo que nos torna mais humano. E esse movimento é muito interessante de ver no filme o tempo todo, especialmente quando é permeado pelas citações de o Dom Quixote, pois os clássicos são atuais e ainda têm mensagens a passar, lições a ensinar.

Bom, não vou me alongar muito para não acabar contando o filme inteiro, mas, com tudo isso o que eu disse, já podemos perceber aí o alto teor didático e moral do filme. No entanto, creio que houve bastantes fatos que terminaram por amenizar isso e tornar o filme mais consistente, passível, inclusive, de várias problematizações. A primeira grande sacada nesse sentido, com certeza, foi o fato de colocar toda essa carga moralizante nas vozes do casal de velhinhos (Chano e a esposa). A outra grande sacada, foi passar essas mensagens por meio das citações de Dom Quixote, como já disse, o grande eixo condutor dessa história. 


E ensinando a todos, ajudando a todos, Chano se revela mais mestre que o próprio professor, pois, se o professor, como figura negativa, é aquele que ensina despegado da vida, Chano, ao contrário, se vale das próprias situações dos meninos para ensinar o que tem a ensinar. Mesmo assim, a vida ainda tem uma última lição para ele, lição essa que amarra toda história e realmente faz com que, como a mensagem do filme preconiza, "o coração não se canse de aprender"

Avaliação: 





Pontos fortes:

*A comparação de Chano com o Dom Quixote

*As imagens da cidadezinha e da Universidade, sempre mostrando aquela construção imponente.

*A figura do zelador que é muito engraçada;

*A atuação de Chano.

*A mensagem do filme me parece bem legal.

* O filme é bem amarradinho.


Pontos fracos:

*Muita musiquinha comovente que às vezes força o drama.

*Conteúdo muito moralizante às vezes.

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